sábado, 25 de fevereiro de 2012

Passarinho que come pedra... sabe o cu que tem.

E minha mãe sempre me disse: "Cada um com seus problemas, minha filho." E o mais engraçado era que eu nunca tinha entendido essa frase, sabe? Pensei que era uma frescura chata de mãe que não tava nem aí pros problemas (que a gente achava que eram problemas) que a gente tava passando. Pensava que era a mais pura falta de vontade de sentar e conversar. Mas, depois de um tempo, a gente acaba descobrindo que quando a mãe fala, tem que acreditar.
A mãe já foi nenê. A mãe já foi criança. Já roubaram a boneca da mãe. Já puxaram o cabelo da mãe. Já derrubaram o sorvete da mãe no chão. Já deram chute na canela da mãe. A mãe já namorou. Já roubaram o namorado da mãe. A mãe já sofreu e hoje ainda tá inteira. A mãe já noivou, já casou, já engravidou, já teve filho. E cá estou eu. Hoje em dia, acreditando na mãe. E acreditando na vó também. Ainda mais na bisavó (tenho bisa, sabiam?). E elas sempre dizem: "Cada um com seus problemas, minha filha."
A gente cisma em achar que entende a cabeça dos outros, né? Pois é. Não entendemos não. Não entendemos nem a nossa própria, quanto mais a dos outros, né? Por exemplo: Um dia, você acorda querendo usar uma blusa rosa. "Lá lá lá, eu amo rosa. Rosa é lindo, não é?". Isso, rosa é lindo. Você usa rosa hoje. Usa rosa amanhã. E, uns 4 dias depois, acorda querendo usar verde. Ixe, e aí? Mas o rosa não era lindo? Não era o rosa que você queria. Era, ué. Eu queria o rosa há uma semana atrás. Antes, com o rosa tava bom. Mas agora eu não quero mais. Quem é que vai me impedir de tirar a blusa rosa (calma, não vou ficar sem; vou colocar a verde.)? Ninguém vai me impedir. Sabe o motivo? Porque hoje eu quero verde. Tenho que ser feliz pra sempre de rosa? Não.
Isso é só uma pequena ilustração do que acontece o dia inteirinho nas nossas vidas e nas vidas das pessoas que cismamos em dizer que entendemos. Ninguém entende ninguém e pronto. "Ah não, eu te entendo." Entende porra nenhuma. Você não dá conta nem de você! Como vai dar conta de mim? Sabe quem tem que cuidar da gente? A gente. Isso. A gente mesmo. A gente que tem que decidir se hoje quer a rosa, quer a verde ou quer sair pelado mesmo. A gente tem que decidir se quer fazer Enfermagem, Pedagogia ou abrir uma loja de bijuterias. A gente tem que decidir se quer acordar ou se quer ficar dormindo. A gente tem que decidir se quer casar ou se quer comprar uma bicicleta. Porque a única coisa que sabemos nessa vida, é o que nos faz feliz (certo?). Mesmo que a gente não tenha muita certeza do que quer, ou se o que queremos é certo, essa é a única coisa que temos o dever. Precisamos mudar pra ser feliz. Precisamos mudar pra ver se melhora. Tá na dúvida? Não sabe se tá bom? Muda, ué. Se melhorar, ótimo; você deu sorte. Se piorar, paciência; passarinho que come pedra, sabe o cu que tem.
Assuma seus erros. Cuide da sua vida. Arrisque mais. Não tenha medo. Se jogue, ué. Apenas permita-se. E, se você acha que a sua vida tá monótona demais pra você, arruma um analista. Ou compra um gatinho. O gatinho tem 7 vidas pra você cuidar. Pode deixar que da minha eu cuido, ok? E faço isso muito bem, obrigada.
Quebramos a cara? Com toda certeza. Nos arrependemos dos nossos atos? Com toda certeza. Mas e daí? Eu prefiro viver a ficar estagnada. Eu prefiro acordar todos os dias e fazer das coisas melhores, do que simplesmente me acomodar.
E uma salva de palmas pra quem tem coragem de fazer isso também.
O bom da vida é olhar pra trás e ver que tudo valeu a pena. Por algum motivo, tudo vale a pena. Podemos não perceber isso ainda, mas pode ter certeza de que tudo acontece por algum motivo. Tudo faz a gente crescer. E o bom é poder olhar pra trás com os olhos brilhando e com aquela sensação de dever cumprido, por maior que seja a merda que possa ter acontecido.
Só um conselho, ok? (Se bem que se conselho fosse bom, era vendido, né?) Assuma suas responsabilidades. Assuma seus atos. Errou? Deixa o orgulho de lado e vai resolver. É a melhor coisa que se pode fazer. A melhor coisa que se pode fazer é resolver alguma coisa e seguir em frente sem pesos e pendências.
E mais: Cada um com seus problemas.

Fonte: Experiência de Carolzita.

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